Ameal é freguesia do Concelho de Coimbra

6.09.2009

Fogueiras de Santo António




No próximo dia 12, comemora-se a noite de Santo António no Largo da Rigueira. Não vai faltar a fogueira, o vinho, o caldo verde e as insubstituíveis sardinhas. A organização é do Centro Social Ameal Solidário.

Etiquetas:

6.07.2009

Eleições Europeias 2009 - Resultados Ameal

As eleições europeias, na freguesia do Ameal, foram vencidas pelo Partido Socialista, com 182 votos. Em segundo lugar ficou a CDU, com 102 votos. No terceiro lugar, o PSD com 72 votos. O Bloco de Esquerda conseguiu o melhor resultado de sempre na freguesia com 55 votos. O CDS-PP conseguiu apenas 17 votos. Sociologicamente, o Ameal é, em definitivo (e confirmando uma tendência já com longos anos), uma freguesia de esquerda.
(Resultados por mesa de voto)
Ameal:
PS-88
PSD-44
CDU-38
BE-24
CDS/PP-6
Vila Pouca:
PS-101
CDU-64
BE-31
PSD-28
CDS/PP-11

Etiquetas:

6.02.2009

Em altura de eleições

(Carlos Monteiro com o ex-presidente da República, Dr. Mário Soares)

(Carlos Monteiro com o falecido dirigente da UNITA, Jonas Savimbi)

Etiquetas:

5.28.2009

Espírito Santo

(Romeiros amealenses na Festa do Espírito Santo, Olivais, Coimbra, década de 40)

Romaria do Espírito Santo remonta ao século XIII (por Zilda Monteiro)

A festa do Espírito Santo sempre foi a que chamou maior número de romeiros a Coimbra. Há registos desta festa desde o século XIII, chamando-se então Festa do Imperador e celebrava a ligação de Eiras ao Mosteiro de Celas e à Ermida do Espírito Santo, no coração da cidade. Esta romaria era conhecida também como a romaria das “campainhas”, nome proveniente das louças e brinquedos de barro vermelho lá expostos e vendidos, provenientes sobretudo de Miranda do Corvo. Segundo relatos da época, a Santo António dos Olivais afluíam ranchos de bonitas raparigas, cumprindo promessas, aproveitando para folgarem em danças, ao som de violas e flautas. O povo espraiava-se pelas escadarias do antigo convento, à sombra dos pinheiros mansos e das oliveiras, onde comiam os farnéis, que neste dia era, geralmente, melhorado. A Romaria do Espírito Santo mantêm-se até à atualidade, no adro da Igreja de Santo António dos Olivais, contudo, com as alterações próprias da evolução social.

Etiquetas: ,

4.15.2009

Porque hoje há futebol






(Algumas equipas que passaram pelo campo do Areal)

Etiquetas: ,

3.31.2009

Escola Primária do Ameal


(clicar na imagem para ver maior)
Uma turma na Escola Primária do Ameal. Não temos informações relativas ao ano e às pessoas retratadas. Solicitamos, pois, a vossa ajuda! Em que ano foi tirada esta foto? Quem são as pessoas na fotografia?

Etiquetas: ,

2.27.2009

Champions League


(clicar na imagem para ver maior)
Mais uma grande recordação do futebol no campo do Areal. Temos aqui duas equipas que se defrontaram, num amigável, no dia 25/05/1967, ganho pelos "de pé" por 6-3. De pé e da esquerda para a direita: João Pancas; Zé Nogueira; Zé Lopes Coutinho; Zé Pereira; Quim Félix; Tó Mané; Armindo Monteiro; Zé Carlos; João Melo e Manel Gamboa. Em baixo: Zé Curate; Manel Leitão; Jorge Almeida (Cajó); Zé Salgueiro; Quim Pereira; Zé Rosa; Manel Nogueira; António Carvalho (falecido); Álvaro e Fernando Palico.
Bons tempos em que o que se fumava era tabaco e o que se bebia provinha das adegas ou então das tavernas existentes à época: António Albuquerque, Zé Serens; Maria Brás; Emília Branca e João Mata. São estes os actuais pais e avôs das novas gerações do nosso Ameal.
(Carlos Monteiro)

Etiquetas: , ,

2.14.2009

Polaroid


(Anoitecer nos Arneiros)

Etiquetas:

2.11.2009

Anoitecer



(Arneiros, Ameal - 06 de Fevereiro de 2009)

Etiquetas:

2.05.2009

Campo de futebol do Areal



Equipa de futebol do Ameal. De pé: (descalço) Zé Gomes (Tito), João Melo, Zé Carlos, Zé Nogueira e Tó Mané. Em baixo: Quim Félix, Manel Gamboa, Armindo Monteiro e Zé Pereira. A equipa amadora já usufruía de um campo relvado, desde a marinha de arroz até à vala.
(Carlos Monteiro)

Etiquetas:

2.03.2009

Brasileiros


Esta é a foto (clicar sobre a imagem para ver maior) do meu avô, Jacob Falamim, ladeado pelos irmãos José Martins (à esquerda) e Adelino Martins (à direita), o célebre Manca-Mulas. Foto tirada quando estes demandavam as terras do Brasil, Santos.
(Carlos Monteiro)

Etiquetas: ,

1.30.2009

Inventor


Um dia acordou e lembrou-se de fundir uma bicicleta com um motor de rega. Foi assim que começou. O que saiu desse sonho pode ser visto no vídeo em cima. O engenhoso inventor é o Francisco "Bacalhau". Filho de peixe sabe sempre nadar!

Etiquetas:

1.28.2009

Arquivo da Universidade de Coimbra

Estão disponíveis no Arquivo da Universidade de Coimbra diversos documentos, de inegável interesse histórico, relativos ao Ameal. Abarcando um período que vai desde 1595 até 1894, estes documentos (que podem ser acedidos online) descrevem, antológica e minuciosamente, toda uma panóplia de eventos cerimoniais e religiosos da aldeia: casamentos, baptismos e óbitos. Um mina de informações históricas.

Etiquetas:

1.11.2009

A pescaria

O sol não se atrevera ainda a mostrar a sua face madrugadora e o galo dormia enroscado na pedrês favorita do harém quando o Fernando acordou, levemente inebriado pelo cheiro a álcool que adocicava a atmosfera da enxerga. Depois de comido o frugal viático, não mais que pão seco e metade de uma sardinha que restara da ceia, empurrados por um copo de palhete; o ainda bamboleante rapaz vestiu-se e arrumou na motorizada (a ronronar como um gato no cio de Janeiro) a telescópica Shakespeare de 6 metros, a ervilhaca, a caixa de material e um saquinho onde, vivazes e nojentas, se remexiam no meio de serradura as larvas de mosca da fruta, mais conhecidas pelos pescadores por asticô.
Já na margem arborizada do pachorrento Mondego, iniciou o que prometia ser pescaria à antiga. Depois de uma manhã passada no tira e põe da linha, atento à corrente da água, ao vento e ao passeio aquático da pequena bóia de cortiça, as expectativas não poderiam ter sido menos defraudadas – como sempre, não ia levar para casa um único barbo, ruivaca ou enguia. Ao meio-dia decidiu regressar e, na ponte da vala, parou à conversa com o Pupazinho - em passo lento para o regular passeio campestre. Apanhaste algum?, atirou o Pupa, a boina espanhola a cobrir a calva luzidia de suor. Uma boga, retorquiu o outro, enfastiado. Pois, pois. Então deixa cá ver isso, gorjeou o Pupa. Homessa! O homem é desconfiado... Deitei-a ao rio! Era tão grande que não cabia na frigideira, e abalou de rompante, arrojando metade da poeira da estrada para o corpo afunilado do passeante.
(Texto enviado por "Habitante do Ameal")

Etiquetas:

Parabéns

O blog do Ameal faz hoje 3 anos!

Etiquetas:

1.09.2009

A pedido de muitas famílias

Se têm algum texto sobre o Ameal (factual, ficcional ou poético) ou alguma fotografia antiga ou actual que achem interessante publicar não hesitem e enviem um e-mail para o seguinte endereço:

Etiquetas:

11.25.2008

Ameal, dia de fiéis defuntos


O dia era de finados, dos fiéis defuntos. A romaria aos cemitérios tinha começado bem cedo, pela manhã. A prática costumada de milhões de católicos: recordar os mortos, adornar a derradeira morada dos que partiram antes de nós. Revivescer a sua memória.

No Alto da Conchada ou no cemitério paroquial do Ameal o ramerrame embelezador é o mesmo, os sentimentos também. A estranheza da morte é igual em todo o lado. Apesar da crise, e do preço dos gladíolos, as áleas recolhidas entre os plátanos encheram-se de cores celebratórias, de homenagens póstumas e saudades desabrochadas em ramos imensos de cravos.

Quando cheguei ao cemitério do Ameal, com a tarde quase cumprida, a colina marmórea aconchegava já o ardor das velas e o cuidado de alguns derradeiros visitantes, afrontados pela comoção nostálgica, suspendia-se no arrasto de flores e na libação a negro das memórias calcadas pelos passos de anos. Reparei que a maior parte das sepulturas se animavam de branco (frio, pétreo e perene), e aquelas velhas grades que antes marcavam o horizonte do cativeiro eterno, e o delimitavam, vão sendo cada vez menos, desaparecendo, ano após ano, em pachorrento denodo.

Pelo que sei, o último pastor da aldeia está vivo e transpira saúde – ainda bem. As grades dos cemitérios – sabiam-no? – protegiam os mortos dos animais de pasto. Como vai ser quando desaparecer o último pastor? Sem a vigília tutelar do pastor perdem-se as ovelhas na infinitude dos caminhos. Perdem-se as grades que nos prendem a algum lado - mesmo que seja o lado de lá.

Vagueei por ali, mais um pouco, ciciando objecções às lonjuras finais da tarde. Procurei uma daquelas grades enferrujadas, preguiçosas, chegadas aos muros depois da jubilação compulsiva: o seu vago azul fazia lembrar a cor de um berço. Diluí a atenção no sentimento melancólico da brevidade da vida. Na realidade, a proximidade de um cadáver acelera a floração, as mais belas violetas alimentaram-se da corrupção. A terra dos mortos, a própria morte, é fecunda: exquisitum alimentum est. Os antigos sabiam o que diziam. O ciclo nunca acaba.

As folhas outonais, semeadas ao acaso, queimavam de vermelho as lajes brancas. Percorri em angústia os epitáfios. A brevidade. A inevitabilidade. A violência do julgamento: O que é o mundo? O que é? Nada.

(Francisco Curate, 05/11, no Jornal de Notícias)

Etiquetas:

Nova gerência, novo bar

O bar da Associação Recreativa e Desportiva do Ameal já reabriu. A Marta Oliveira é a concessionária e, enquanto gerente, é a cara nova que está à frente do espaço. Não deixem de lá aparecer para beber um café ou uma mini.

Etiquetas:

10.21.2008

A minha aldeia

Um trabalho muito engraçado realizado por alunos da Escola do 1.º Ciclo de EB do Ameal.

Etiquetas:

10.20.2008

Toponímia do Ameal

Um site muito interessante com o nome e localização de todas as ruas, becos e estradas do Ameal.

Etiquetas:

Ameal nas notícias

O vereador Gouveia Monteiro chegou, domingo, com atraso à cerimónia de inauguração da nova sede da Junta de freguesia de Ameal. O edil atrasou-se poucos minutos, mas bastou isso para ter escapado a um primeiro relance do olhar do presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). Só num segundo momento, as vistas de Carlos posaram em Monteiro, cuja falta de comparência seria incompreensível tratando-se Ameal de uma freguesia com um presidente (Jorge Mendes) eleito pela CDU. Bem humorado, o presidente da CMC foi guiado pelo Espírito Santo (outro dos apelidos de Jorge Mendes) numa visita às instalações. O sinal de bom humor foi dado quando o autarca anfitrião impediu Carlos de virar à esquerda e rumar ao beberete. Enquanto Mendes conduzia o presidente da CMC para o lado oposto da sede da Junta, Encarnação gracejou que tinha aprendido com um dos seus vereadores a privilegiar o lanche.

Etiquetas:

9.28.2008

Junta de Freguesia do Ameal: o dia da inauguração











(Todas as fotografias gentilmente cedidas pelo Gabinete de Imprensa da Câmara Municipal de Coimbra)

Etiquetas: , ,

9.22.2008

Inauguração da nova sede da Junta de Freguesia

A luta já vinha de trás, como admitiu Jorge Mendes. As dificuldades nunca deixaram a vontade passar-lhe à frente. Ontem, o que era um objectivo de sempre foi concretizado. Nas proximidades da Igreja de São Justo e da Escola Básica do 1.o Ciclo, a nova sede da Junta de Freguesia do Ameal, que correspondeu a um investimento total de 412 mil euros, foi inaugurada, com o povo presente em número elevado. «Bonita e multifacetada», encontra-se apta a servir a população, que, durante anos e anos, se habituou a deslocar-se a um espaço «inaceitável».Descerrada por Jorge Mendes e Carlos Encarnação, presidentes da Junta de Freguesia do Ameal e da Câmara Municipal de Coimbra, respectivamente, a placa alusiva ao acto de inauguração está num lugar bem visível, a exemplo do que acontece com o edifício de um piso, que sobressai num alterado espaço, «urbanisticamente bem planeado e conseguido», no gaveto entre a Rua da Fonte e a Rua Moura Relvas.
Um «pedaço» de um poema sobre o Ameal, escrito por João Rasteiro, poeta da freguesia e funcionário da autarquia de Coimbra, figura num lugar de relevo, a pedido de Carlos Encarnação. O poema está incluído no livro “O Búzio de Istambul”, que o autor ofereceu ao autarca, antes de uma viagem de trabalho deste ao Luxemburgo. «É um acto singular que quero que seja de homenagem ao povo do Ameal», explicou Encarnação.«Este é um momento carregado de muito simbolismo e emoção», referiu Jorge Mendes, que afirmou tratar-se do «culminar de muitos anos de querer, exigência e luta junto da Câmara Municipal de Coimbra», antes de reconhecer que «não foi fácil». «Andávamos a lutar por esta junta para satisfazer necessidades muito antigas. Tão antigas que valeram a pena agora que vimos o edifício que a Câmara Municipal de Coimbra ofereceu à Junta de Freguesia do Ameal», disse. Após agradecer à comissão da igreja, que emprestou as instalações onde a junta funcionou até ao dia de ontem, Jorge Mendes assumiu que a nova sede tem «a dimensão que vai satisfazer as necessidades que temos». Além de uma entrada com atendimento e secretaria, um gabinete para o presidente, dois espaços de reuniões (um para a Junta de Freguesia e outro para a Assembleia), o edifício vai contemplar, dentro em breve, uma biblioteca/ludoteca. A casa mortuária é contígua à nova sede, cujo espaço envolvente funciona como um jardim para a freguesia com uma zona de estar com bancos e mesas. Ontem, a chuva “empurrou” a população para o interior do recém-inaugurado edifício, benzido por António Coelho, padre da freguesia. O que antes era um problema, deixou de ser. «Falta de espaço aqui não há. Isso era na outra», ouviu-se, já depois de, à porta, os populares terem sido animados pela actuação dos Dixie Gringos-Jazz Band, formação de jazz tradicional.«Era um problema difícil. Tinha a ver com o local de implantação», destacou Carlos Encarnação, garantindo que o objectivo sempre foi «fazer todo o arranjo urbanístico e não fazer apenas uma sede para a Junta de Freguesia». «Do ponto de vista urbanístico, o arranjo está muito bom, mas também há que destacar o conjunto de valências», acrescentou o presidente da autarquia de Coimbra, antes de sublinhar que a obra «demorou o tempo necessário». Depois de considerar «o projecto bem feito, arejado, inovador, interessante e que transporta para a Junta de Freguesia do Ameal uma construção que não é habitual nas juntas», Carlos Encarnação falou numa obra que «a freguesia há muito tempo merecia». Sobre os 412 mil euros investidos, o autarca acha que «se gastou muito bem este dinheiro».
Encarnação“constrangido”com condições da anterior sede
Na hora dos discursos, a antiga sede da Junta de Freguesia do Ameal foi lembrada sem saudade. Jorge Mendes evocou a primeira deslocação de Carlos Encarnação ao local, cedido pela Comissão da Igreja de São Justo, onde funcionava a junta. «Foi numa visita que fez antes de ser presidente da Câmara, que se apercebeu das condições em que atendíamos na freguesia do Ameal».Carlos Encarnação também se referiu à mencionada “viagem”. «Quando me candidatei pela primeira vez, há sete anos, visitei todas as juntas que os presidentes me quiseram receber», recordou, antes de garantir: «Fiquei constrangido com as condições em que estava a sede da junta. Era uma situação impossível, inaceitável e logo começámos a conversar para alterar a situação».

Etiquetas:

9.18.2008

Casa nova ficou mais cara mas valeu a pena

Junta do Ameal vai ter casa nova

A Junta de Freguesia do Ameal, no concelho de Coimbra, vai ter, finalmente, a sua própria sede. A construção do novo edifício, uma promessa antiga que vai concretizar-se no centro do Ameal, foi consignada ontem à tarde e deixou o presidente da Junta de Freguesia, Jorge Mendes, "muito satisfeito".
"Há 12 anos que estou na Junta e esta tem sido uma luta diária", comentou o autarca da CDU, notando que aquela é uma reivindicação com 15 anos.
A empreitada está orçada em 290 mil euros, que serão pagos, segundo Jorge Mendes, pela Câmara Municipal de Coimbra. O autarca, que foi acompanhado pelo presidente da Câmara, Carlos Encarnação, na cerimónia de consignação de ontem, contou que as obras deverão arrancar dentro de um mês e demorar 300 dias a serem concluídas.
Quando estiver pronta, a Junta de Freguesia do Ameal vai abandonar o espaço que vem ocupando na casa paroquial e dar lugar a novas actividades e valências. Segundo declarou Jorge Mendes ao JN, o projecto do novo edifício prevê salas para uma biblioteca, para um ponto de Internet público, para reuniões de grupos, entre outros.
"É um projecto bastante completo", resume o presidente da junta, onde estão registados 1678 habitantes.
A Assembleia de Freguesia do Ameal é composta por quatro representantes da CDU, três da coligação PSD/PP/PPM e dois do PS.
(Jornal de Notícias 24/07/2007)

Etiquetas:

8.09.2008

D. Ximenes Belo no Ameal - a cobertura fotográfica









Etiquetas: ,

6.11.2008

D. Ximenes Belo #dois

No dia 22 de Junho, Domingo, o Ameal vai receber a visita de um prémio Nobel: D. Ximenes Belo. O bispo timorense, prémio Nobel da Paz, vai celebrar a missa na Igreja de São Justo e, de seguida, vai almoçar com a comunidade amealense. O almoço custa a módica quantia de 10€ e as receitas reverterão a favor das obras de restauro da Matriz do Ameal. O preço é ridículo face à oportunidade, única, de conviver com um homem tão excepcional como Ximenes Belo e de auxiliar as obras da Igreja. Seja bem vindo, D. Ximenes Belo!

Etiquetas:

D. Ximenes Belo #um


Carlos Filipe Ximenes Belo (Uailacama, Baucau, 3 de Fevereiro de 1948) é um bispo católico timorense que, em conjunto com José Ramos-Horta, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz de 1996, pelo seu trabalho "em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste".

A sua obra corajosa em prol dos timorenses e em busca da paz e da reconciliação foi internacionalmente reconhecida quando, em conjunto com José Ramos-Horta, lhe foi entregue o Prémio Nobel da Paz em Dezembro de 1996. Na sequência deste reconhecimento, Ximenes Belo teve oportunidade de se reunir com Bill Clinton dos Estados Unidos e Nelson Mandela da África do Sul.

Após a independência de Timor-Leste, a 20 de Maio de 2002, a saúde do bispo começou a esmorecer perante a pressão dos acontecimentos que tinha vivido. O papa João Paulo II aceitou a sua demissão como administrador apostólico de Díli em 26 de Novembro de 2002. Após se ter retirado, Ximenes Belo viajou para Portugal para receber tratamento médico. No início de 2004, houve numerosos pedidos para que se candidatasse à presidência da república de Timor-Leste. No entanto, em Maio de 20o4 declarou à televisão estatal portuguesa RTP que não autorizaria que o seu nome fosse considerado para nomeação. "Decidi deixar a política para os políticos" -- afirmou.

Com a saúde restabelecida, em meados de 2004 Ximenes Belo aceitou a ordem da Santa Sé para fazer trabalho de missionação na diocese de Maputo, como membro da congregação dos Salesianos em Moçambique.

(fonte Wikipédia)

Etiquetas: ,

5.15.2008

Assalto

A igreja de São Justo foi assaltada anteontem, dia 13 de Maio. Felizmente, nada foi roubado. Lamentam-se apenas a destruição parcial de uma das portas e alguma desarrumação no altar. A GNR tomou conta da ocorrência. Não é a primeira vez que a igreja matriz do Ameal é acometida. Há uns anos foram roubadas algumas peças de arte sacra de elevado valor. Então, como agora, a GNR limitou-se a recensear o acontecimento depois de consumado o furto. A protecção dos valores da igreja é exclusivamente divina, pensamos nós. «Tomar conta da ocorrência» não basta. Exige-se uma maior vigilância policial. Os assaltos também têm sido frequentes na freguesia. Recordamos, por exemplo, uma surtida recente à Associação Recreativa e Desportiva do Ameal. A população começa a ficar preocupada e parece que ninguém, a começar pelas autoridades policiais, faz nada.

Etiquetas:

5.14.2008

Padrões #2





Etiquetas:

5.02.2008

Passeio no campo (2)





Etiquetas:

4.30.2008

Passeio no campo



Etiquetas:

3.24.2008

Beijar o Senhor




Segunda-feira de Páscoa. Os muros caiados, as salas inundadas de luz. Sorrisos abertos. Beatíficos. Contentes e fartos. As garrafas de vinho fino, as amêndoas, a chanfana. Um dia pródigo. A aldeia respira nos passos apressados de quem visita uma e outra rua. O alecrim rescende junto aos umbrais das casas que recebem o Senhor. É Páscoa, é já Segunda-feira. É mais ou menos assim.

Etiquetas: ,

3.18.2008

João Rasteiro lança novo livro de poesia

Etiquetas:

3.10.2008

Blogues de Coimbra

Destaque para os blogues de Coimbra (Ameal incluído) no blogue de Daniel Oliveira. Os nossos agradecimentos ao Daniel.

Etiquetas:

2.09.2008

Tijolo a tijolo, casa a casa

Se têm algum texto sobre o Ameal (factual, ficcional ou poético) ou alguma fotografia antiga ou actual que achem interessante publicar não hesitem e enviem um e-mail para o seguinte endereço:

Etiquetas:

2.05.2008

Multibanco




Foi instalada uma Caixa de Multibanco na Associação Recreativa e Desportiva do Ameal. Agora já não há desculpas para pedir fiado...

Etiquetas: ,

1.31.2008

[Rua da Portela, grupo de mulheres]

[Rio Mondego, mulheres a lavar roupa, criança e cão]

Etiquetas: ,

1.24.2008

Busca silenciosa

À Estrela Cenácula

Durante anos os procurei, um amieiro
a paixão, o amplexo do lugar, o clarão
das almas tristes, a infinidade da origem,
uma quimera de longos espaços virgens,
um cais de memórias, a construção
do sopro quando se sacrificam ditosos
os ranchos de pirilampos sob a madrugada
bebendo a luz nos espigões do horizonte.

Alguém morrerá na insídia das aldeias
roçando a frescura dos aguilhões dos rios
e a fúria das raízes germinará indigente
na visibilidade da luz entre o corpo e o lugar.

E as raízes crescem e crescem subjugando
os céus quando nos campos se procura o trevo
na magnífica volúpia da agonia dos movimentos.
[João Rasteiro]

Etiquetas:

1.20.2008

As moedas que faltavam

Corria o ano de l960. Era Dezembro…

O vento sacudia, energicamente, os pinheiros, os eucaliptos, as acácias da mata da capela e os campos estavam vestidos de neve.

A aldeia preparava-se para festejar o Natal. No início do mês, a sineta da capela começou a lembrar, alegremente, à população que o Nascimento do Menino estava próximo. Era assim todos os anos, ninguém sabia desde quando...
Na noite de Natal, toda a aldeia se reunia na Capela da Senhora da Alegria para comemorar o nascimento do Menino Jesus. Ao serão, faziam-se velhoses e o cepo de oliveira ficava aceso toda a noite “para aquecer o Menino”. Todos se dirigiam à capela mesmo quando as colheitas tinham sido más, como aconteceu naquele ano.

Poucos dias antes do Natal, a Emília fez a limpeza da casa. Com um vasculho de gibardeira, limpou as paredes e o telhado. Precisava de dinheiro para comprar o sabão amarelo com que lavava o sobrado e papel para forrar as cantareiras. O milho e o arroz escassearam nos campos. E uma chuva precoce e cruel tinha impossibilitado a colheita de uma boa parte do arroz. Para cúmulo, a fábrica ainda não pagara o cereal que já tinha recebido. Naquele ano, a vida dos pequenos lavradores, estava mais difícil do que nunca. E a Emília dava voltas à cabeça... Como iria ela arranjar os tostões que lhe faltavam?! Era uma mulher forte e tinha uma fé inabalável. Sabia que o Menino havia de a ajudar a alindar a casa para Ele entrar na Sua noite.

De súbito, ao varrer a cozinha, sem saber de onde nem como, viu cair no chão algumas moedas. Estremeceu de alegria e fez o sinal da cruz. Eram precisamente as moedas que lhe faltavam para comprar o sabão e o papel colorido!... A Emília não questionou coisa alguma. Ela sabia que o amor de Deus é concreto e que actua como e onde quer.

No dia de Natal, mais uma vez a aldeia do Ameal se concentrou no largo da capela para rezar, conviver e oferecer para o leilão as suas galinhas, ovos, milho, feijão, fruta, azeite, etc. Também nunca faltava, naquela tarde, o cesto de uvas que a tia Inês tinha guardado, religiosamente, na sua despensa. “Eram as uvas de Nossa Senhora”, dizia ela, com ternura.

A Emília partiu para sempre, há alguns anos, com a certeza de que Deus se tinha manifestado quando varria a sua cozinha.

No Ameal permanece, bem viva, esta tradição. E eu, no dia de Natal, sinto sempre necessidade de pisar aquele chão da minha infância, de ouvir a sineta, os gaiteiros animados pelo ti`Zé Salgueiro, os pregões das ofertas... Necessidade de ajoelhar na capela, de retribuir o abraço de quem cresceu comigo naquela aldeia, de sentir o cheiro da canela dos rapelhos, dos pinheiros, dos eucaliptos e do cepo de Natal a arder na largo da capela.
[Carlos de Oliveira]

Etiquetas: ,

1.17.2008

Natal

Prefiro recordar os Natais passados em casa, as tardes de compras nas ruas da Baixa de Coimbra ou a Missa do Galo na Capela da Nossa Senhora da Alegria, no Ameal. Talvez isso seja uma boa forma de homenagear os meus pais, a minha aldeia (tão perto e tão longe de Coimbra) e, claro, Dickens.

O “meu” Natal é diferente. Não é melhor nem pior. Não é igual ao teu, de certeza. É feito de presépios e não de pinheiros.

É Natal de fogueiras que ardem três noites. De foguetes que desfazem o silêncio da meia-noite. A cinza é especiaria, o Pai Natal é apenas um gordo foleiro, come-se chanfana e filhós quentes, o sobro confunde-se com o eucalipto, uma noite sofre-se inteira. Não é igual ao teu (e, no entanto, é).

Parte de um texto de Francisco Curate publicado no Jornal de Notícias

Edit e sublinhado meus.

Etiquetas:

1.16.2008

As casas





Etiquetas:

1.15.2008

A aldeia na rede global

O Ameal na Wikipédia

Etiquetas:

10.10.2007

Quando acorda a frescura do mundo


Era uma casa branca,
Que me chegue: no centro de pinheiros
Que me chegue que ela seja sem ser
à sua forma e no seu tempo: thor
(as casas brancas ditas no passado
excitam a magia) Que seja então:
era uma casa branca.
[Ana Luísa Amaral]

Poderia ficar assim longo tempo, embebido no ponto do universo que faz vibrar a luz, sentindo-me vivo de novo e possuído de uma leveza aberta ao crepúsculo mágico das manhãs. Como se o azul do universo dos céus não fosse o lugar bastante. O centro recôndito e íntegro do segredo. A voz que ainda não saboreou as palavras prováveis.

Os galos da índia cantam alongando-se na carícia oculta das alvoradas. Uma delícia amarga e sequiosa por entre as vozes do sono. Na calma madrugada da terra os galos celebram as vozes uns para os outros. Sob as réplicas extasiadas que vão enriquecendo as pálpebras da alvorada, no brilho dos relâmpagos onde se purifica o pólen do Sardoal, claramente apreendo a aldeia dos primeiros amieiros.

Como dizê-lo: ei-la aqui, não imagem sem cores, não moldura de seres adormecidos, mas o fogo oblíquo de todas as aldeias, a pequena nascente, a pequena giesta das artérias – essa luz na fresta dos olhos, olhos onde imagino o sol desde a minha infância, olhos que ainda vislumbram gestos trançados à volta do corpo, os gestos ateados do mundo, dispondo os múltiplos ventos que sussurram a aldeia na cabeleira dos amieiros. Sem vento, a minha garganta secou aqui, neste horto de sílabas quietas, de palavras alagadas de todos os Invernos.

Agora que a noite é imaculada e não há cidade mais viva que tu, imagem voluptuosamente virgem na masmorra dos espelhos, tu, o ténue reflexo do ser que oscila entre sonhos insondáveis e a memória que perscrute os cantos da insónia, diz-me onde se fundeia a minha carne, diz-me quem és, com teus dentes calcinados de terra consagrada, com teus olhos de nervuras e palavras orvalhadas das quimeras dos homens que o vento dissipa ou a primavera fará germinar. A arquitectura do mundo em espaços de incandescência.

Diz-me quem és e que água tão cristalina das marés vivas do Mondego treme em minha alma de bocas múltiplas; diz-me quem és e porque me visitas nos lábios de bronze da fonte dos reis quando avidamente aniquilo a sede, a secura aclamada num jorro único, num deleite único, uma permissão única, o fulgor exclusivo das nascentes, porque desces indecifrável até mim que estou tão carecido de palavras que habitam a nascente secreta do silêncio das súplicas, e porque te afastas sem pronunciar lugar, quando a cidade mostra as suas garras de pedra e aço, pedras envelhecidas sem princípio nem fim, objectos de pedra prisioneiros no seu próprio tempo, diz-me, agora que é tão imaculada a aurora em que me sento no centro do teu corpo, no rasgão de um útero que se eleva cintilante sob o alimento do crepúsculo, diz-me agora quem somos e não há cidade mais viva que tu.

Agora que sinto o coração como amieiro plantado nas entranhas enjauladas, respiro a substância dos pinheiros mansos na sementeira opulenta das Chãs, nos pinhões que enfeitavam o orbicular sacro da terra na rotação do pináculo e sou um corpo construído pela paisagem despida, sou quase um espírito cúmplice da simplicidade absoluta dos braços, dos tentáculos da chão, dos poros das ruas – pela trepidação ascendente das criaturas na Rua do Monte ou pela vibração elementar e descendente da Rua da Vila Nova e ao entardecer o odor dos homens constrangidos, como num açougue infecto e os acídicos corpos das mulheres escrupulosas sob as saias negras, discutindo a encruzilhada do universo no centro da Rigueira -, das veias rubras como pulsação da memória autónoma de um corpo, de uma voz que me retornou completa no movimento que me reavivou à plenitude do lugar. Tímidas asas aspergindo os aromas do êxtase, o aroma do orvalho que servirá de abrigo às ultimas idades da terra. O mundo como criação íntegra e inteira do mundo.

E é tempo de colheitas abastadas e não tenho searas fartas e hortos extensos. Não tenho pegas fortes ou um pequeno rebento de amieiro. E amo tanto a árvore que abre a flor da reminiscência no adorno da mudez. Os amieiros vieram de noite. De madrugada eram ecos, lugares. E os lugares esperam. Eles esperam pela poeira do branco gorgulho da memória de todos os Invernos. O lugar espera. Aceso espera a morte, a vida reinventada nas profundidades mágicas da terra. E tudo não é senão lugares de luz soberana, reinos e confins de claridade concebida. E os bandos de andorinhas subiam cada vez mais em direcção aos céus, os cães adormeciam o sol nas bermas, as ovelhas sobre aragem das ervas cheiravam a calda, aromas de existência profícua…Crescem os meus membros sobre atalhos sem sombra, sem princípio, sem fim, e pesam, alimentados pela idade da lembrança. E ouço-os a fracturar o lugar, o seu lugar, entoando o canto da insónia, o ventre rubro, o cordão umbilical da natureza. Pois pelo alvorecer é o tempo de exaltar a memória da abundância, com ramos de flores sob a axila das folhas dos amieiros.

E o meu corpo já possui pedras e aço. Invoco ao deitar-me uma tempestade de duendes, um golpe de vento libertador na folhagem das árvores guerreiras, no bafo dos fantasmas que circulam as aldeias como sentinelas, como vigias para dentro de nós mesmos, sustendo a fortuna. A ardósia cobre os telhados esverdeados ou a telha onde cresce o musgo inflamado pela paixão das chuvas. É noite sobre a minha ilha, sobre o espaço inabordável, o lugar do enigma que se confunde com a própria criação da memória, com a respiração das aldeias e do seu transitório percurso. A memória é um exercício sem conclusão e todavia é alimento.

Os lugares, de noite, são como o rio silencioso e subimos ao topo da árvore, o mundo dos mundos é nosso, é nossa a doçura da escuridão. Inquietos ressurgimos e ficamos sós de vigília no molhe das margens, procuramos o fulgor do clarão, o medo e os sonhos levam-nos à luz, ao clarão. Nenhum mistério se desvendará para o coração. Toda a memória é uma forma de solidão, a respiração, a margem das palavras.

Cumes trémulos dos amieiros, a terra negra, estrebuchando em jorros quentes, remoinhos arrastando um corpo, um lugar, vozes, homens pairando impolutos, os pés inertes e recolhidos para que nenhuma parte do seu corpo resistisse à fantasia do voo, a luz cintilante, o vento, pequenas casas trémulas, negras chaminés dos grandes mundos, a mácula luminosa da aldeia, do outro lado da ponte sobre a vala, o brilho confuso da ilusão.

Quem me refrescará antes da morte sob as fontes? Quem perfumará o meu corpo extinto de vida nos jardins odoríficos? Quem atulhará a minha boca de pedras no coração do barro? A mim lugar quem me chorará os olhos apagados de Primavera? Quem me sepultará impuro no coração dos amieiros? E as madrugadas acordarão como se a aldeia não fosse o lugar bastante, o coração como a terra inclina o rosto à vida?

Apesar de tudo continuam a existir as palavras fincadas aos pulmões que nos metem medo ao coração. Abro a passagem e invado o teu espaço, aldeia. Palavras, memória, sopros, a frescura do mundo, um corpo, um outro espaço que irrompe, da aldeia, das abrigadas ruas, da Rua da Fonte, do passado, de múltiplas e doídas constelações de outras existências, de outros sabores. E sou todas essas realidades inaudíveis, abertas, expostas, incompletas, em movimento por entre as humanas vozes que em mim florescem. Este ainda é o segredo que o amieiro me revelou.

Uma manhã de próximos olfactos, quando já tiver passado a reclusão das estações e o Inverno se tiver dissolvido em ventos de Primavera, em ventos arrebatados às forças ocultas da paisagem, acordarei múltiplo no chão, agasalhado num sudário de lençóis calorosos, a geografia do mundo.

Agora é o momento em que a noite termina e a madrugada principia. A doce circunstância em que a aldeia desperta da húmida neblina. Os amieiros que lhe digam que chego tão breve como o rosto da esperança.

[João Rasteiro]

Etiquetas: ,

10.04.2007

Festas do Senhor: a procissão







[Anos 70]

Etiquetas: ,

9.17.2007

Menina nasceu no Ameal

Sábado, 15 de Setembro de 2007
Uma mulher que se encontrava em trabalho de parto acabou por dar à luz no seu veículo, um jipe, ontem, pelas 07H20, enquanto seguia em emergência para o hospital. Segundo o que o DIÁRIO AS BEIRAS conseguiu apurar, o parto foi normal e não ocorreu qualquer incidente de maior. Tanto a mãe, como a criança do sexo feminino encontram–se na Maternidade Daniel de Matos e estão bem de saúde. De acordo com a testemunha, Joaquim Couceiro, que ia a caminho do serviço, os pais são de Santarém e seguiam pela Auto–estrada 1, quando se "enganaram na saída e acabaram por ia parar ao Ameal". Joaquim Couceiro quando se apercebeu do sucedido ligou de imediato para o 112 que "accionaram logo os respectivos meios". É caso para dizer que não se escolhe onde se nasce...
Não se escolhe onde se nasce, é verdade. Mas, convenhamos, o Ameal é um belo lugar para se nascer!

Etiquetas:

8.07.2007

Festividades em honra de São Justo - Agosto de 2007

[Andor de São Justo, transportado por elementos da Comissão de Festas. Em primeiro plano: Fernando Pimentel; ao seu lado: José Mendes; atrás: José Curate]
[Andor de Nossa Senhora de Fátima. Em primeiro plano: Belita Padeira ; ao seu lado: Sandra]

[Aspecto geral da procissão com elemento da Confraria do Santissimo Sacramento (Manuel da Costa) em primeiro plano]
A procissão em honra do orago da aldeia, o mártir São Justo, realizou-se no dia 6 de Agosto pelas 17:00h, depois da missa solene. A marcha religiosa percorreu as ruas da aldeia, como é hábito neste préstito tradicional, em ambiente de profunda devoção mística.

Etiquetas:

7.04.2007

A dança das mães

Às estrelas que nos alumiam
Na beleza incurável das feridas alimentam-se mães sem trégua. Nos rios secos, batem e batem os corações alimentados em sangue frio e espesso. Que é lívido. Que procura as raízes. O coração é um bicho estranho, que vai caminhando gota a gota. E as feridas incautas aproximam-se das mães, imprudentes ao peso de cada sopro. O amor eternamente feroz. E as feridas das mães, são cada vez mais belas. O medo caminha violentamente mais perto, no corpo, na cara, nas vértebras e no ventre onde se abriga com seu volúvel volume, o silencioso amor de mãe. Sob a folhagem da água, mães cansadas da aridez que as toca, incendeiam-se através dos filhos. E os filhos, esse chumbo cravado nas asas, esse projecto que sobre o mar se estende, alimenta as feridas pelos tendões. As mães debicam sobre a areia a sua rota clara, até ao fim do mundo. Como pela última vez. Sobre a montanha, um filho incorpora-se na beleza incurável das feridas, enquanto mães tacteiam a pedra, até ser flor. Por vezes sangram e cantam, secam os olhos, arrancam os sexos e em permanente luta, corpo a corpo, o amor estende-se, mas os gestos são frios, neste caminhar obsceno de pessoas sem frutos. Há-de caber numa gota, todo o tempo, todo o amor, de uma vida sem história.

João Rasteiro
( Amial,27/07/2002)

Etiquetas:

5.14.2007

Padrões



[Parede, granizo sobre relva, silveira, macieira em flor]

Etiquetas:

5.02.2007

O regresso dos amieiros

Quando não chove, confusamente dispo-me atrás dos amieiros e abandono-me à corrente. Sigo para o sul, que é para onde correm todos os rios...

[Eugénio de Andrade, Memória de outro rio, 1978]



Aprendi a regressar e os passos em volta para dar com as ruas estreitas e as gentes de calor imenso. E abro a memória da pele como se fosse um livro, mastigando em suas páginas, os seus poemas, os seus ecos, o destino que me prefigura.

Aqui, agora sob a seiva, ainda colho o calor no cume da alegria, os amieiros são de um azul celeste, o lugar ganha a espessura do corpo sobre o dorso, o rio lambe. Por vezes, ainda ouço as árvores, os pássaros, incluindo os guarda-rios, e os sapos na vala do campo, a pesca dos sonhos no curso das águas até à nascente ignorada e pura, agora que todo o campo, todos os animais, todas as aves, toda a terra, todos os amieiros me pertencem, regresso, até ao fim do mundo – a terra era viva, translúcida, e tinha um cheiro morno que entontecia. Porque era nela que eu frutificava, pungente.

Há uma aldeia que não finda, num estertor de palavras ateadas, nem desvia o seu trajecto de longas fissuras na suspensa eternidade do lugar, primitivo e absoluto.

São coisas simples que procuro lembrar. As coisas simples das grandes noites do mundo. Estamos em 1996, é Outubro, o vento assobia baixo, imitando por vezes o canto de um pássaro agonizante, e eu à procura do meu pai, olhando-o nos olhos, olhando-o violentamente de uma parte gerada da sua carne, a parte mais iluminada da sua carne sonhadora, porque a noite se aproxima. Amanhã também morrerei, ateado.

Passo de uma pequena fronteira a outra, imensamente grande, e na qual se perdeu, talvez no largo da Rigueira, no lugar onde os velhos bebiam o sol, a eternidade, o olhar que procuravam, o olhar que procuro nas linhas improváveis de um poema, os brancos cílios, os negros olhos de meu pai, negros como a noite que se aproximava. O Inverno adquirira um rosto. O dele. E também ele encontrara um rosto. O seu próprio.

As paredes da casa e os soalhos de pedra obscura, todos lascados sob os pés – os astros com a precisão matemática de uma geografia sobrenatural, por dentro da sílaba, no interior maduro das mãos. Lá fora havia os montes, o voo dos pássaros, o vento nu.

Os pássaros sobre os pinhais do Sardoal, o coração estendido dos pássaros abrindo feridas, que sangram – pedem-me que restitua a madrugada, e que apague este homem de passagem, o corpo adormecido na luz prateada dos amieiros.

Em 1996, Outubro rebentava no corpo, espraiava-se no sangue, era quase audível o crescimento dos hortos, a viagem dos líquidos subterrâneos, sentia-se no bafo da morte a pulsação do mundo, o renascer das cobras frescas, como se tudo estivesse dentro dela, corpos, pássaros, rios, amieiros, asas e céus. A amarga melancolia.

O corpo que revela o sangue para além dos campos em movimento, e que o sangue descobre. Assalto-o. Como um fósforo já queimado de todas as memórias. Não posso lembrar-me agora, do cheiro do orvalho rente ao barro, do cheiro do azeite no lagar e do cântico dos peixes no Mondego – da raiva e das suas extremidades, por ter perdido a viagem, os frutos da memória. Somente o meu silêncio pesa nos olhos do meu pai.

Um dia, também eu encontrarei a morte no meio dos amieiros, ela dará então uma volta pela aldeia, refrescar-se-á na Fonte dos Reis e continuará a caminhar através do infinito vazio, e eu esperarei com um livro aberto, talvez a Divina Comédia, de Dante, no capítulo sobre o inferno, repousando e esperando ao cimo do movimento como ser pasmado, antes de chegar a noite. O pulo do corpo para a terra, da criança alva, o cheiro dos novos corpos neste lugar – como se eu voasse e brotasse sobre a raiz ríspida da colina. Um corpo na lembrança excessiva de outro corpo, antes de chegar a noite.

Olho em volta: eu e o meu pai e com todas as memórias que se somam ao meu corpo, e que tu, e contigo todas as memórias, tu aldeia, em que descobri a forma dos fetos, o êxtase do tempo, até conseguir fazer soltar a primeira respiração, a respiração do lugar inicial, a respiração purificada dos animais sob os amieiros.

E as velhas lembranças reúnem-se no cérebro, como magnólias pensando, pedindo-me o condão do paraíso, alguma coisa audível, mas, escondo-as na pele - toda a memória, para que se esmaguem umas às outras no recato das sombras, estranguladas por uma beleza infinda, incomparável, até que o tempo as torne palpáveis.

Os lugares são fabulosos quando digo lugares. Nas ruas e no largo da Rigueira não passava ninguém, a aldeia hibernava, estava morta, dormia, dormias pesado, pai. Podia abrir uma fenda nos dedos, e respirar o ar fresco das cidades, libertando-me deste sopro interior, deste sopro que cicatriza nas feridas abertas no Outeiro ao fim da tarde, na inquietação do corpo quanto ao destino, quando em 1996, sob o vento de Outubro, antes que a noite se aproximasse, te procurava por entre os odores dos amieiros, porque o amor é forte como a morte, mais forte que a eternidade dos mortos – te procurava na pureza do linho e das mortalhas sagradas, pai.

E hoje, na Primavera em que todas as memórias morreram, enterrei o teu nome num canteiro de magnólias de cristal e olho-o de longe, para que a minha boca não se rasgue mais em suas arestas. E ele ferve. E colho flores e as minhas vestes ficarão perfumadas. Regresso quando a palavra se detém no sémen dos amieiros, enquanto construo a memória de que eles fazem parte, com a solidão nua das vozes que os protegem de mim.

João Rasteiro

Etiquetas: , ,

4.26.2007

Turma dos “MAU-MAU” – AMIAL, década de 1980


[Fernando Seiça, João Rasteiro, Paulo "Rainho" e Paulo Rogério]


[Paulo "Rainho", Rasteiro e Zé Fernando na Fonte do Caganeto]

AMIAL

Onde me senti nascer
regresso agora
para morrer ou adormecer
o meu nome noutro nome
tão sozinho
à beira do novo ciclo
o dos animais nos amieiros
que tudo apagam à minha volta
todas as minhas inocentes vísceras
o instante entre terra e pele,

onde me senti nascer
regresso agora
para morrer ou plantar
rosáceas de pedra no nevoeiro
o mergulho numa fenda pura
que prende e desprende a alegria
a insondável ilusão das aldeias
um quase nada
o fresco do rio e das fontes
o meu sangue pela tua memória,

onde me senti nascer
regresso agora
no sagrado das palavras
o meu corpo no chão do teu corpo
no início que não espera
o justo arrepio das vozes
o transparente sopro do instante,

onde me senti nascer
regresso agora
como os reis com sede de sombra
no caminho único da tua minha eternidade.

[João Rasteiro 2007]

Etiquetas: , , ,